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De 78 Anos de Tradição à Liderança Digital: O Guia da Riachuelo para Escalar Resultados com Dados

Neste artigo, você descobrirá como Wellington Silva, diretor de tecnologia da Riachuelo, liderou uma profunda reestruturação na cultura de métricas da gigante do varejo. O texto explora a transição de uma visão de dados fragmentada para uma arquitetura omnicanal unificada, revelando os três pilares estratégicos e os testes práticos que impulsionaram diretamente a taxa de conversão, o engajamento e a receita incremental no ecossistema digital da companhia.

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

9 de junho de 2026

8 min
De 78 Anos de Tradição à Liderança Digital: O Guia da Riachuelo para Escalar Resultados com Dados

O varejo tradicional está passando por um escrutínio digital onde a sobrevivência depende não apenas de vender produtos, mas de entender minuciosamente o comportamento do consumidor antes da compra. Para a Riachuelo, uma operação colossal com 78 anos de história, mais de 30 mil colaboradores e o maior parque fabril têxtil da América Latina, o desafio da digitalização exigiu uma revisão completa de sua arquitetura tecnológica e de sua cultura analítica.

Sob a liderança de Wellington Silva na área de tecnologia do e-commerce, a empresa orquestrou uma evolução que transformou o seu ecossistema online, composto por site web, aplicativos nativos e sistemas de crédito em uma máquina de captação de insights impulsionada por dados. Atualmente, o back-end da varejista é construído internamente e suporta até 120 mil requisições por minuto, atualizando diariamente cerca de 18 milhões de atributos de clientes em todas as suas frentes de negócio.

A superação dos silos de dados

Até 2024, a gestão de Web Analytics e aplicativos na Riachuelo enfrentava obstáculos comuns a grandes corporações. As medições focavam quase exclusivamente nas jornadas macro do cliente, como visualizar a página de um produto e adicioná-lo ao carrinho. Havia um desalinhamento de taxonomia entre as plataformas Web e os sistemas operacionais mobile (iOS e Android), o que tornava a consolidação de métricas um processo moroso e impreciso. Além disso, a equipe de dados não era dedicada exclusivamente ao e-commerce, dividindo prioridades com áreas como a financeira e as operações de lojas físicas.

A virada de chave, iniciada de forma incisiva para o ciclo de 2025, concentrou-se na unificação da jornada omnicanal. A companhia estruturou um time multidisciplinar e dedicado, composto por engenheiros de dados e especialistas em Front-End, para garantir que toda nova funcionalidade lançada nascesse com 100% de cobertura de rastreamento de eventos.

Esse refinamento permitiu à empresa entender que cerca de 95% do valor analítico reside no comportamento pré-compra (baseado em navegação, gerido por ferramentas como Amplitude e Microsoft Clarity), enquanto os 5% restantes são puramente transacionais. O resultado dessa precisão cirúrgica foi um aumento expressivo de 195% no volume de eventos de comportamento de usuários mapeados de um ano para o outro.

Do insight à receita: a experimentação na prática

Com uma base de dados sólida, os PMs da Riachuelo ganharam autonomia para adotar a experimentação contínua. Pequenos atritos na jornada de compra, antes invisíveis, tornaram-se alavancas de crescimento. Três casos práticos ilustram o impacto direto na última linha do balanço:

  • Guest Checkout (Compra sem cadastro completo): Identificou-se que a exigência de um cadastro extenso era uma barreira na finalização de compras. A implementação de um checkout simplificado rendeu um incremento imediato de 1,9 ponto percentual na taxa de conversão da micro jornada, refletindo diretamente em receita incremental para a companhia.
  • Compra Parcial: Ao permitir que clientes comprassem apenas parte dos itens do carrinho (mantendo os demais como uma lista de desejos), a empresa paradoxalmente aumentou seus ganhos. A funcionalidade impulsionou a taxa de recompra e o volume de receita por usuário, provando que respeitar o tempo de decisão do cliente gera fidelização.
  • Otimização do Motor de Busca: Em um Teste A/B, a equipe substituiu a tecnologia de busca de prateleira do site por um novo fornecedor. O acompanhamento rigoroso do CTR resultou em um sucesso de busca 10 pontos percentuais maior para os usuários, guiando a tomada de decisão para a contratação definitiva da nova ferramenta baseada estritamente em performance.

Além de otimizar os canais próprios, a estrutura analítica pavimentou caminhos para inovações em parcerias. Um exemplo foi o pioneirismo da marca no TikTok Shop, tornando-se a loja oficial de moda com selo de autenticidade no aplicativo. Em ações estratégicas, como a campanha de Dia das Mães com a influenciadora Silvia Braz, a Riachuelo superou os nativos digitais, alcançando a liderança de vendas no canal e gerando impressionantes 78 milhões de impressões.

Os três pilares para a maturidade analítica

Para sustentar esse nível de execução, Wellington Silva resume a estratégia da Riachuelo em três diretrizes fundamentais para qualquer liderança C-level:

  1. Consistência: O idioma do sucesso deve ser único. É imperativo adotar uma linguagem e taxonomia universais entre aplicativo e site. Essa padronização é a espinha dorsal que gera confiança mútua entre as áreas de tecnologia e de negócios.
  2. Evidências: Intuição não escala resultados. A escolha de parceiros tecnológicos, plataformas e prioridades de produto deve ser invariavelmente justificada pelos dados extraídos da operação.
  3. Cobertura: Mensurar 100% dos novos lançamentos não é uma métrica de vaidade, mas um requisito de sobrevivência. O insight que salvará a receita de amanhã depende intrinsecamente da medição implementada hoje.

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FAQ Perguntas frequentes

1. Como a Riachuelo estruturou sua arquitetura tecnológica para suportar o alto volume do e-commerce?

Para garantir escalabilidade, a companhia apostou na construção de um back-end proprietário, capaz de processar até 120 mil requisições por minuto e atualizar cerca de 18 milhões de atributos de clientes todos os dias. A arquitetura divide-se de forma inteligente: ferramentas como Amplitude e Microsoft Clarity monitoram o comportamento pré-compra (que representa 95% do volume de dados), enquanto plataformas como o Databricks gerenciam a fatia de 5% de dados puramente transacionais.

2. Qual foi a principal mudança organizacional para unificar as métricas entre os diferentes canais (App e Web)?

O grande divisor de águas foi a alocação de um time multidisciplinar totalmente dedicado ao ecossistema do e-commerce, reunindo engenheiros de dados, especialistas em atribuição e desenvolvedores Front-End. Essa nova estrutura resolveu o problema de taxonomias desalinhadas entre a Web e os sistemas operacionais móveis (iOS e Android), estabelecendo uma visão omnicanal centralizada e consistente.

3. Como a cultura de experimentação com dados impactou diretamente as vendas e a receita?

A autonomia para testar hipóteses gerou melhorias práticas com impacto financeiro imediato. A introdução do Guest Checkout elevou a taxa de conversão da microjornada em 1,9 ponto percentual. Paralelamente, a funcionalidade de "Compra Parcial" provou ser um motor de fidelização, aumentando expressivamente a taxa de recompra e a receita por usuário.

4. Como uma marca com 78 anos de tradição se adaptou a novos canais digitais, como o Social Commerce?

A forte base analítica permitiu à companhia identificar e desbravar novos canais com segurança. A empresa tornou-se pioneira no TikTok Shop, atuando como loja oficial com selo de autenticidade. Ao cruzar dados de aceitação e realizar parcerias estratégicas, como a campanha de Dia das Mães, a marca liderou o ranking de vendas da categoria no aplicativo e conquistou 78 milhões de impressões.

5. Quais são os três pilares estratégicos definidos pela liderança de tecnologia para o sucesso digital?

Segundo Wellington Silva, a maturidade analítica de qualquer operação depende de três regras de ouro: Consistência (linguagem única de medição entre todos os canais), Evidências (eliminar a intuição da tomada de decisão, utilizando dados reais) e Cobertura (exigir que 100% dos novos lançamentos nasçam com rastreamento de eventos).

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves é fundador e CEO da Métricas Boss, já trabalhou dentro de gigantes como B2W. Autoridade na área de Digital Analytics, com mais de 15 anos de experiência e 3 mil projetos atendidos, incluindo gigantes como PUC, Rede D'Or, Globo, Stanley, Médico Sem Fronteiras, Alura, entre outras.

Publicado em 9 de junho de 2026