E-COMMERCE DATA EXPERIENCE

CAC alto no e-commerce: o problema é o custo da mídia ou a falta de CRO?

Neste artigo, você encontrará uma análise aprofundada sobre a eficiência de conversão em operações digitais, com foco na proteção da margem de lucro. O conteúdo é fruto da mesa redonda realizada no evento EDX (E-commerce Data Experience), que ocorreu em 14 de maio, na cidade de São Paulo. Sob a mediação de Taciana Serafim, o painel reuniu executivos de peso: Bárbara Bonfim, líder de experimentação global da LS&Co; Tárcio Machado, líder do programa de experimentação da Electrolux na América Latina; e Cláudia Fajkarz, gerente de sucesso do cliente da VWO.

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

9 de junho de 2026

8 min
CAC alto no e-commerce: o problema é o custo da mídia ou a falta de CRO?

Para compreender o tamanho desse desperdício, basta olhar para os dados do mercado:

Anualmente, o mercado brasileiro investe cerca de 37,9 bilhões de reais em publicidade digital. Contudo, direcionar um volume massivo de tráfego para um site com falhas de navegação é comparável a tentar encher um balde furado. Diretores e gestores lidam diariamente com mídias saturadas e com o aumento constante do Custo de Aquisição de Clientes (CAC), mas frequentemente a base estrutural de suas lojas virtuais acaba sendo deixada em segundo plano na hora de alocar orçamento.

Para agravar o cenário, dados globais discutidos no painel mostram uma disparidade financeira severa: para cada 92 reais investidos na atração de usuários via mídia paga, destina-se apenas 1 real para estratégias de conversão. É nesse ponto de ruptura que a Otimização da Taxa de Conversão (CRO) deixa de ser um detalhe apenas técnico e passa a ser uma necessidade de sobrevivência comercial da operação.

O aspecto político e a mudança de cultura

Para a alta gestão, o principal erro estratégico é tratar a área de CRO como um resgate de emergência, acionada apenas quando as metas de receita já não estão sendo atingidas no fim do mês. Bárbara Bonfim, da LS&Co, explica que a experimentação não deve ser vista como uma "bala de prata" focada unicamente na alteração superficial de componentes de interface. Trata-se, fundamentalmente, de um processo de gestão de mudança estrutural, onde a empresa abandona as decisões baseadas em achismos para adotar uma cultura orientada a dados e evidências.

Tárcio Machado, da Electrolux, ressalta o caráter político que envolve a implementação de testes em grandes corporações. A disciplina exige negociação entre as áreas, visto que as frentes de experimentação frequentemente sugerem modificações que os gestores de negócio têm receio de fazer por medo de prejudicarem as metas de curto prazo. Ao validar uma nova funcionalidade com uma parcela reduzida de usuários antes de implementá-la para toda a base, o CRO protege ativamente o fluxo de caixa da companhia. Evitam-se, assim, custos desnecessários com desenvolvimentos que não trariam retorno ou que poderiam afetar negativamente os indicadores.

Carga cognitiva e a proteção das margens de lucro

Um conceito indispensável na governança de um e-commerce é a avaliação da carga cognitiva, termo que define o nível de esforço mental exigido para que o usuário processe uma informação e conclua a compra. Otimizar uma jornada não significa, obrigatoriamente, cortar etapas. Muitas vezes, inserir uma etapa adicional serve justamente para eliminar objeções e inseguranças do consumidor.

A Electrolux validou isso na prática. Ao rodar um teste que inseria um texto simples, informando sobre a política de devolução gratuita em até sete dias próximo ao botão de comprar, a marca atacou diretamente a ansiedade do consumidor. Para quem adquire um bem durável pela internet sem poder tocá-lo fisicamente, a garantia explícita de retorno do dinheiro reduziu a objeção e refletiu em um aumento nas conversões finais. Por outro lado, Tárcio pontua que a experimentação também salva margens: um teste avaliando o aumento de descontos para pagamento instantâneo (via PIX) gerou um grande volume de vendas brutas, mas a análise profunda comprovou que, em algumas categorias, essa estratégia destruía a rentabilidade do negócio.

No cenário de moda da LS&Co, a barreira enfrentada era a frustração dos clientes que chegavam à página do produto e constatavam a falta de numeração no estoque. A solução implementada pela área de Bárbara Bonfim foi um teste de ancoragem com um convite no próprio texto (copy) para visualizar outras opções disponíveis imediatamente abaixo. Uma mudança considerada simples que reteve o tráfego que seria perdido e elevou a receita final do canal.

Cláudia Fajkarz, Customer Success Manager (CSM) da VWO, reforça que a remoção de funcionalidades também é uma via eficaz. Ela cita o caso de um e-commerce farmacêutico mexicano, especializado em fraldas para adultos. Por meio de mapas de calor, a plataforma da VWO identificou que o botão de "compra com um clique" causava confusão nos clientes (majoritariamente idosos ou em situação de vulnerabilidade). A exclusão do atalho modernizado deixou a tela mais limpa, reduziu o atrito cognitivo e garantiu melhores resultados para o negócio.

Proteja o investimento e o caixa da sua operação

Se a torneira do investimento em mídia paga fosse fechada hoje, a sua operação de e-commerce conseguiria sobreviver? Diretores e profissionais focados na verdadeira experiência de conversão conseguem responder a essa pergunta com previsibilidade e controle de dados. Para entender a estrutura matemática por trás desses resultados, visualizar o relacionamento entre times e aprender a escalar um programa de otimização sólido, assista ao painel completo com Taciana Serafim, Bárbara Bonfim, Tárcio Machado e Cláudia Fajkarz.

O vídeo integral já está disponível para acesso no Prime.


FAQ — 5 perguntas importantes sobre eficiência em e-commerce e CRO

1. O que significa a metáfora do "balde furado" nas operações digitais?

A expressão descreve o cenário onde empresas despejam vastos recursos financeiros para atrair tráfego pago (a água), mas mantêm falhas de navegação, carregamento e estrutura no site (os furos do balde), fazendo com que grande parte desses potenciais clientes abandone a compra e o dinheiro escoe.

2. Por que a Otimização de Conversão (CRO) não deve ser tratada como um recurso de última hora?

Porque o CRO exige constância, testes sistematizados e uma mudança genuína na cultura corporativa, substituindo achismos por dados validados. Acioná-lo apenas para "salvar a meta do mês" ignora o seu verdadeiro potencial estratégico de construção de rentabilidade a longo prazo.

3. Como a carga cognitiva afeta os resultados de venda de uma loja virtual?

A carga cognitiva diz respeito ao desgaste mental que o usuário sofre ao tentar compreender a interface do e-commerce. Excesso de estímulos ou processos complexos aumentam o atrito; portanto, a otimização foca em desenhar fluxos que exijam o mínimo de energia e dúvida por parte do comprador.

4. De que maneira um programa de experimentação protege o caixa das empresas?

Os testes funcionam como uma mitigação de risco comercial. Ao invés de usar recursos de tecnologia para implementar uma mudança arriscada em todo o site, o teste A/B aplica a ideia para uma pequena amostra. Se os resultados daquela mudança mostrarem quedas de desempenho, a ideia é reprovada, os custos de desenvolvimento em larga escala são poupados e a receita é salva.

5. Qual é o principal desequilíbrio no orçamento de marketing segundo as discussões recentes do setor?

Existe uma priorização histórica e desproporcional na fase de atração. Conforme dados levantados em mercados consolidados, a relação de investimento atinge o preocupante patamar de 92 reais aplicados na aquisição de tráfego para apenas 1 real destinado à melhoria da conversão.

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves é fundador e CEO da Métricas Boss, já trabalhou dentro de gigantes como B2W. Autoridade na área de Digital Analytics, com mais de 15 anos de experiência e 3 mil projetos atendidos, incluindo gigantes como PUC, Rede D'Or, Globo, Stanley, Médico Sem Fronteiras, Alura, entre outras.

Publicado em 9 de junho de 2026

Artigos relacionados

E-COMMERCE DATA EXPERIENCE

Como a Métricas Boss redefine a análise de dados corporativa com o Analytics Copilot

Neste artigo, exploramos as principais inovações apresentadas por Lucian Fialho, CTO da Métricas Boss, durante o evento E-commerce Data Experience (EDX), realizado no dia 14 de maio de 2026, em São Paulo. Você encontrará uma análise executiva sobre o Analytics Copilot, uma nova ferramenta de Inteligência Artificial (IA) focada em produtividade e confiabilidade de dados.

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

8 min
Leia mais
E-COMMERCE DATA EXPERIENCE

O Fim do 'Last Click': Como Nemu, Nestlé e Electrolux Redefinem a Atribuição de Mídia

Realizado durante o evento E-commerce Data Experience (EDX) no

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

8 min
Leia mais
E-COMMERCE DATA EXPERIENCE

A reestruturação corporativa no Grupo Casas Bahia: do fim dos silos operacionais à cultura de experimentação

Apresentada durante o evento EDX (Ecommerce Data Experience), ocorrido no dia 14 de maio, em São Paulo, a palestra conduzida por Renan Araujo, Gerente de Produtos, e Igor Alves, Tech Manager, revelou os bastidores de uma grande transformação arquitetônica no Grupo Casas Bahia. Neste artigo, você entenderá como a gigante do varejo eliminou a distância entre suas diretorias, abandonou o excesso de relatórios estáticos e empoderou suas equipes para tomar decisões estratégicas baseadas em testes e estatística rigorosa. -------------------------------------------------------------------------------- Quem nunca pediu um painel de indicadores para embasar uma escolha e acabou tomando a decisão antes mesmo de o relatório ficar pronto? Foi a partir dessa exata reflexão que o Grupo Casas Bahia iniciou uma profunda reformulação em sua estrutura interna. O problema diagnosticado não era a falta de informações, mas sim a arquitetura organizacional da companhia. Historicamente, o departamento de produtos operava sob constante dependência da diretoria de dados. Quando um PM (Product Manager, ou Gerente de Produto) precisava de uma análise para guiar o desenvolvimento de um canal de vendas, era necessário abrir um chamado formal, justificar o pedido e aguardar em uma fila de atendimento gerida por um SLA (Service Level Agreement, ou Acordo de Nível de Serviço). Essa desconexão gerava atritos operacionais: a equipe de dados estava distante do contexto de urgência comercial, enquanto a área de produtos acumulava mais de cem painéis de monitoramento diferentes e frequentemente redundantes , o que travava a tomada de decisão. A virada estrutural: unindo áreas sob a mesma diretoria Para solucionar esse gargalo, o Grupo Casas Bahia tomou uma decisão drástica: não bastava adquirir novas tecnologias, era imperativo mudar as cadeiras. A companhia reestruturou seu organograma e trouxe as disciplinas de dados e de CRO (Conversion Rate Optimization, ou Otimização de Taxa de Conversão) para atuar diretamente sob o mesmo teto da diretoria de produtos. Com essa mudança, formou-se um "quarteto" operacional composto por especialistas em produtos, UX (User Experience, ou Experiência do Usuário), engenharia de software e análise de dados. A unificação eliminou os acordos de nível de serviço restritivos entre os setores, alinhou as metas, passando todos a buscar juntos o aumento de GMV (Gross Merchandise Volume, ou Volume Bruto de Mercadorias) e melhorias nos tickets médios e garantiu que o planejamento das soluções fosse desenhado em tempo real. Da dependência de terceiros à autonomia das equipes Um dos pilares da nova cultura do Grupo Casas Bahia foi reconhecer que um gerente de produto que depende constantemente de um terceiro para analisar uma métrica acaba, inevitavelmente, se acomodando e fazendo menos perguntas de negócio. Para reverter esse quadro, a empresa revisou seu arsenal tecnológico. O volume de pedidos por painéis centralizados foi reduzido em cerca de 30%. Em substituição a relatórios engessados, a companhia investiu na democratização da informação, implementando soluções de autosserviço como o Mixpanel, permitindo que os próprios líderes de produto realizassem análises de funil e recortes de público sem enfrentar filas. Além disso, foram criados processos mais ágeis utilizando plataformas como o Databricks, que permite a extração de relatórios através de linguagem natural, e a consolidação de "Deep Dives", investigações mais profundas reservadas exclusivamente para perguntas que afetam diretamente a estratégia corporativa. A evidência no lugar da opinião: resultados práticos A nova estrutura permitiu que o Grupo Casas Bahia escalasse vertiginosamente sua capacidade de experimentação. Em apenas um mês, a companhia chegou a rodar mais de 50 testes simultâneos no formato A/B (método de comparação entre duas versões de uma página ou sistema para determinar qual performa melhor). Dois casos ilustram bem o retorno financeiro dessa estratégia. O primeiro envolveu o coração do comércio eletrônico: o motor de busca. A equipe de produtos estava estagnada há mais de um ano debatendo mudanças na busca do site com base em percepções qualitativas. Ao adotarem a nova cultura estatística, testaram um novo motor de busca contra o antigo em tempo real, acompanhando rigorosamente métricas como CTR (Click-Through Rate, ou Taxa de Clique) e CVR (Conversion Rate, ou Taxa de Conversão). A evidência dos dados comprovou a superioridade do novo motor, resultando em um crescimento das métricas de navegação e em uma drástica redução de custos operacionais para a companhia. O segundo caso destacou a aplicação prática de inteligência artificial. Através da ferramenta Nano Banana, o time decidiu testar a melhoria visual do catálogo de produtos, gerando imagens realistas e ambientadas (como sofás de alta resolução inseridos em salas adequadas, no lugar de fundos inconsistentes). O teste A/B comprovou que a percepção de qualidade visual impactava diretamente a segurança do consumidor, elevando a taxa de conversão final. A conclusão que pauta o Grupo Casas Bahia hoje é clara e serve como diretriz para líderes do mercado: A tomada de decisão é o destino. -------------------------------------------------------------------------------- Aprofunde-se neste conteúdo Para conferir a riqueza de detalhes técnicos, os frameworks de maturidade de equipes e ouvir diretamente dos líderes que capitanearam esse projeto, confira a palestra completa no Prime. O material em vídeo oferece todos os gráficos e metodologias exclusivas adotadas pelo Grupo Casas Bahia para você aplicar na realidade do seu negócio. → ACESSAR LINK DA PALESTRA -------------------------------------------------------------------------------- FAQ: 5 perguntas importantes sobre a reestruturação no Grupo Casas Bahia 1. Qual era o principal problema enfrentado pelas equipes de produtos antes da reestruturação? As equipes operavam em silos. A diretoria de dados ficava separada do time de produtos, gerando lentidão, longas filas de espera por análises e criação de relatórios que, muitas vezes, não respondiam às urgências de negócio em tempo real. 2. Como a mudança organizacional resolveu esse gargalo? A empresa aproximou a frente de dados e otimização para atuar diretamente dentro da diretoria de canais (onde os produtos vivem). Isso formou equipes multidisciplinares compostas por produtos, experiência do usuário, engenharia e dados, compartilhando as mesmas metas de conversão. 3. Como o Grupo Casas Bahia reduziu o volume excessivo de relatórios? A companhia eliminou painéis estáticos desnecessários — reduzindo a demanda por novos painéis em 30% — e passou a capacitar os gerentes de produto com ferramentas de autosserviço analítico, garantindo fluência e autonomia para que eles mesmos respondessem às suas perguntas de rotina. 4. Quais foram os impactos financeiros ao alterar o motor de busca do site? Ao substituir debates pautados em opiniões por testes A/B baseados em métricas claras de clique e conversão, a empresa adotou um novo motor de busca que não apenas melhorou a estabilidade e a experiência do cliente, mas também gerou uma grande redução de custos operacionais. 5. De que forma a companhia utilizou Inteligência Artificial para aumentar vendas? Utilizando uma ferramenta chamada Nano Banana, a equipe melhorou as imagens do catálogo de produtos cadastrados por parceiros, reduzindo o ruído visual e ajustando a nitidez para criar fotos realistas e bem ambientadas. O aumento da qualidade visual gerou maior confiança no cliente, o que foi validado com um crescimento na taxa de conversão final

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

8 min
Leia mais