Entender a Geração Z já é um desafio para qualquer profissional de marketing. Agora, imagine construir um produto 100% app-first, pensado exclusivamente para essa geração…
… e ainda ter que lidar com mensuração, aquisição, atribuição, ASO, limitações técnicas de loja e comportamento de um público que, muitas vezes, nem sabe o próprio e-mail.
Esse é o cotidiano de Julyana Dahan, Head of Growth da NG.Cash, que subiu ao palco do Analytics Summit 2025 para abrir a caixa-preta de como uma fintech nativa digital navega o universo complexo do analytics para jovens,muitos deles menores de idade.
Neste artigo, reunimos os principais aprendizados da palestra “Os desafios da mensuração app-first para a Geração Z [Case NG.Cash]”, narrada com a naturalidade, profundidade e humor que marcaram a apresentação da Julyana.
A NG.Cash e o desafio de construir um banco para nativos digitais
Antes de falar de mensuração, a Julyana contextualizou o cenário. A NG.Cash nasceu em 2020, ainda como Neagle Bank, dentro de um canal de Minecraft no YouTube, um MVP que provou, rapidamente, o tamanho da demanda reprimida: jovens queriam (e precisavam) de uma solução financeira feita para eles.
Hoje, a NG.Cash é a principal solução financeira para jovens no Brasil, com um portfólio que inclui cartão, cofrinhos com rendimento, consórcio e funcionalidades pensadas para quem está tendo seus primeiros contatos com dinheiro.
E esse ponto muda completamente o jogo de comunicação e mensuração:
- •Conceitos como CDI não fazem sentido.
- •Jornadas bancárias tradicionais não se aplicam.
- •O público rejeita o convencional e percebe rapidamente quando uma marca tenta “forçar” uma linguagem jovem demais.
Para conquistar relevância entre os GenZs, a NG.Cash se apoia fortemente em prova social, conteúdo orgânico, comunidade e influenciadores. Afinal, 44% da Geração Z já comprou algo por recomendação de um creator e a marca nasceu justamente dentro desse ambiente.
O choque de realidade: canais tradicionais não funcionam
Logo que assumiu o time de growth, a Julyana teve seu primeiro grande aprendizado: e-mail não funciona para a Geração Z.
Ela montou fluxos, nutrições, campanhas… e nada.
Eles não abriam e-mails. Eles não lembravam o e-mail cadastrado. Alguns nem sabiam seu próprio endereço eletrônico, o que chegou a inviabilizar o login no app, até a NG.Cash mudar a chave de acesso.
E não foi só o CRM tradicional que caiu por terra. O SEO também.
“Eles não pesquisam no Google. Eles pesquisam no TikTok.”
A partir disso, a NG.Cash teve que redesenhar sua estratégia para:
- •focar SEO somente para responsáveis (pais e mães), gerando confiança;
- •priorizar plataformas onde os jovens realmente pesquisam;
- •testar horários amplamente, já que GenZs têm agendas absurdamente fragmentadas.
O desafio fica ainda maior quando o produto exige linguagem simples, objetiva e zero “bancarizada”, explicando desde o básico até como utilizar o próprio app de forma segura.
Criatividade como ferramenta de sobrevivência
Para essa geração, ser “institucional” não basta. É preciso fazer parte da conversa. Um dos exemplos citados por Julyana foi uma campanha em que a NG.Cash colocou um avião na praia cobrando caloteiros, gerando viralização no TikTok.
O recado é claro: não dá para comunicar para GenZ sem sair da caixa.
E, ao mesmo tempo, é preciso fazer isso com muito cuidado para não cair no “cringe”. Para isso, a NG.Cash mantém pessoas da própria geração dentro do time, garantindo autenticidade em cada peça, roteiro, copy e iniciativa.
App-first: o paraíso da experiência e o inferno da mensuração
Se entender o público já é difícil, trabalhar com um modelo 100% app-first adiciona uma segunda camada de complexidade.
1. Dependência das lojas (App Store e Google Play)
Ao contrário do web, no app:
- •não há liberdade total de design;
- •não há controle sobre avaliações;
- •updates dependem da aprovação das lojas (que podem rejeitar versões e atrasar campanhas);
- •bugs momentâneos, como falha no Pix, detonam a nota do app, inclusive prejudicando ASO.
####2. ASO: o “SEO de aplicativos” A NG.Cash leva ASO tão a sério quanto SEO:
- •otimização de título (“NG.Cash: Banco com Cartão e Pix”)
- •descrição com palavras-chave
- •ranking por categoria
- •descoberta orgânica por busca nas lojas
- •testes A/B de prints e textos
Tudo isso impacta significativamente a aquisição orgânica, que, para apps, é extremamente valiosa.
3. Complexidade técnica e operação contínua
Como Head of Growth, a Julyana precisa estar colada no time de tecnologia para monitorar:
- •tempo médio de build e deploy
- •frequência de releases
- •crash rate
- •adoção das últimas versões (muitos jovens não atualizam o app por falta de espaço)
Qualquer problema na performance técnica mata campanhas, derruba conversão e afeta a reputação da marca.
Mensuração e atribuição: o papel crítico da MMP
Para mensurar corretamente de onde vem cada usuário, a NG.Cash utiliza uma MMP (Mobile Measurement Partner), uma espécie de Google Analytics para apps, com funcionalidades mais profundas.
A MMP é indispensável, mas traz seus próprios desafios:
- •Modelos de precificação podem ser altos (especialmente os baseados em volume de eventos).
- •Eventos offline, como aproximação do cartão físico, precisam ser integrados ao back-end para aparecer na MMP.
- •Tracking em iOS é limitado e, no Brasil, muitas empresas deixam de investir na plataforma por não conseguirem medir os resultados.
A solução encontrada pela NG.Cash foi cruzar:
- •MMP → mostra a origem do usuário
- •Snowflake → mostra os eventos comportamentais reais (ex.: criar conta, fazer Pix)
Assim, é possível entender a jornada completa: quem converteu, o que fez e de onde veio.
O que o mercado pode aprender com esse case
Mesmo que sua empresa não trabalhe com jovens hoje, a fala de Julyana deixa um alerta importante: em 2030, um terço do PIB será gerado pela Geração Z.
Ignorar esse comportamento agora significa atrasar a adaptação necessária para os próximos anos.
O case da NG.Cash mostra que:
- •a geração Z revoluciona canais e formatos;
- •mensuração app-first exige maturidade analítica avançada;
- •performance depende tanto de growth quanto de engenharia;
- •criatividade precisa andar lado a lado com dados;
- •entender o comportamento do usuário é o ponto de partida da estratégia.
A palestra da Julyana reforça algo essencial para qualquer profissional de analytics ou growth: não existe app-first sem data-first. E, para a Geração Z, também não existe comunicação sem autenticidade.

Gustavo Esteves
Gustavo Esteves é fundador e CEO da Métricas Boss, já trabalhou dentro de gigantes como B2W. Autoridade na área de Digital Analytics, com mais de 15 anos de experiência e 3 mil projetos atendidos, incluindo gigantes como PUC, Rede D'Or, Globo, Stanley, Médico Sem Fronteiras, Alura, entre outras.
Publicado em 10 de fevereiro de 2026




