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Orange Friday: como dados em tempo real transformam decisões em momentos críticos (Aprendizados de GOL e Minders)

A Black Friday é, para muitas empresas, um dos momentos mais decisivos do ano. Mas no setor aéreo, em que estoque é limitado, preço é dinâmico e qualquer atrito na experiência gera impacto direto em receita, o desafio ganha outra escala. Foi sobre isso que Aline Onishi, Country Manager da Minders, e Bruno Tisséo, Coordenador de Digital Analytics na GOL, discutiram na palestra Orange Friday: Como dados em tempo real impulsionam decisões em momentos críticos.

Lucian Fialho

Lucian Fialho

10 de fevereiro de 2026

8 min
Orange Friday: como dados em tempo real transformam decisões em momentos críticos (Aprendizados de GOL e Minders)

A Black Friday é, para muitas empresas, um dos momentos mais decisivos do ano. Mas no setor aéreo, em que estoque é limitado, preço é dinâmico e qualquer atrito na experiência gera impacto direto em receita, o desafio ganha outra escala.

Foi sobre isso que Aline Onishi, Country Manager da Minders, e Bruno Tisséo, Coordenador de Digital Analytics na GOL, discutiram na palestra Orange Friday: Como dados em tempo real impulsionam decisões em momentos críticos.

E a primeira provocação já surgiu antes mesmo do conteúdo começar: “Olhar quantos usuários estão no GA em tempo real não é tomar decisão em tempo real. É só matar curiosidade.”

Com essa frase, Gustavo Esteves abriu o painel e entregou o tom do debate: usar dados de verdade exige profundidade, preparo e maturidade analítica. E é exatamente esse tipo de trabalho que sustentou a estratégia da GOL na sua principal campanha do ano: a Orange Friday.


A necessidade do tempo real (e por que conversão sozinha é tarde demais).

Ao abrir o painel, Aline reforçou um ponto fundamental: medir conversão é obrigatório, mas insuficiente.

Conversão é um resultado, não um insight. Se você só percebe um problema quando a taxa cai, provavelmente já perdeu receita.

Além disso, reforçou que a jornada digital não é linear, nem contínua. Cada usuário percorre caminhos diferentes, com comportamentos distintos e motivações próprias.

Sem visibilidade granular do comportamento, qualquer tentativa de tomada de decisão em tempo real vira chute.

Por isso, antes de pensar em “monitorar a Black Friday”, Aline trouxe o mapa completo do ciclo de vida do usuário:

  1. Aquisição
  2. Ativação (setup, a-ha moment, habit moment)
  3. Engajamento e retenção
  4. Monetização

Cada uma dessas fases não só produz dados diferentes, mas também demanda análises diferentes. Sobretudo, times preparados para interpretá-las.


Amplitude como habilitador: do comportamento ao impacto

Aline apresentou como a Amplitude permite acompanhar, em profundidade, cada etapa da jornada digital.

Ela destacou análises essenciais para momentos de alta demanda:

  • Atribuição de mídia e aquisição por canal/campanha
  • Drivers de conversão e eventos críticos
  • Mapas de caminho (path analysis)
  • Anomalias e quedas de retenção
  • Uso de funcionalidades (feature usage)
  • Prevenção de churn
  • Receita por produto, por segmento e em tempo real

Mas o ponto central da apresentação foi claro:

Não basta ter dados em tempo real. É preciso ter pessoas preparadas para agir em tempo real.

Daí surgem os quatro pilares que ela recomenda para momentos críticos:

  1. Times treinados para usar e confiar nos dados
  2. Integrações verificadas e funcionando antes da operação
  3. Dashboards planejados previamente, não em cima da hora
  4. Planos de contingência claros para QUANDO (não “se”) algo der errado

Com essa base, é possível entrar na Black Friday com segurança. E foi nesse ponto que Bruno assumiu a conversa.


A visão da GOL: como operar uma Black Friday em tempo real

Bruno começou explicando que a Orange Friday (a versão da GOL para a Black Friday) é uma das duas maiores campanhas anuais da companhia (junto com o aniversário da empresa). A janela é curta, o volume é massivo e qualquer erro custa caro.

Mas o que mais chamou atenção foi a mudança cultural dentro da organização:

“2024 foi o primeiro ano em que usamos 100% Amplitude para monitorar a operação inteira da Black Friday.”

Por que isso importa?

Porque o Amplitude entrega algo raro em ferramentas tradicionais:

  • dados em tempo real,
  • sem amostragem,
  • com profundidade comportamental,
  • no mesmo ambiente do teste A/B.

Isso significa que, no mesmo relatório, a GOL consegue:

  • ver comportamento por segmento,
  • identificar gargalos,
  • comparar variantes de teste,
  • acionar squads,
  • e monitorar impacto…

Em minutos, não em horas.


Preparação: a parte que ninguém vê, mas que define o resultado

Bruno reforçou que a operação começa muito antes do dia da campanha.

Na preparação, a GOL usa a Amplitude para:

  • validar telemetria
  • testar dashboards
  • configurar alertas
  • preparar cenários
  • revisar experiências
  • alinhar áreas (marketing, pricing, produto, CRM, tecnologia)

E aqui está um ponto importante: Todas as áreas têm acesso e autonomia para criar dashboards no Amplitude.

Isso cria uma cultura de dados horizontal, não centralizada apenas no time de analytics.


O dia da Orange Friday: onde o real time faz diferença

No dia da campanha, o relógio corre.

Com apenas 24 horas de janela, qualquer insight que demora é receita que não volta.

Por isso, a estratégia da GOL se apoia em três pilares:

1. Monitorar acessos, comportamento e trilhas de conversão

Indicadores como:

  • evolução de sessões
  • queda de preenchimento
  • erros por dispositivo
  • atritos por rota pesquisada
  • impacto de preços dinâmicos
  • performance por canal

2. Tomar decisões rápidas

Como ajustes em:

  • regras de precificação
  • conteúdo de página
  • capacidade de sistemas
  • comunicação instantânea

3. Transformar complexidade em agilidade

Com dashboards enxutos, já desenhados para responder perguntas críticas, não para “explorar dados” durante a crise.


Exemplo de telemetria

Bruno mostrou (com dados fictícios por questão de sigilo) como a GOL monitora toda a operação:

  • tráfego
  • fluxo de compra
  • erros técnicos
  • conversão por etapa
  • comparação com benchmarks
  • impacto em receita

Tudo em uma única visualização, em tempo real, com 100% dos dados, sem amostragem.


Conclusão: tempo real não é sobre velocidade. É sobre preparo

A principal lição do painel é simples e brutalmente prática:

Real time só funciona se tudo ao redor estiver preparado antes.

É preciso:

  • dados confiáveis
  • telemetria impecável
  • equipes treinadas
  • alinhamento entre áreas
  • dashboards planejados
  • processos profundos

A Orange Friday da GOL não funciona porque os dados são rápidos. Ela funciona porque a organização inteira aprendeu a operar rápido.

Se o futuro é real time, o presente é sobre maturidade.

Lucian Fialho

Lucian Fialho

Fundador e CTO da Métricas Boss, com sólido background em tecnologia, tendo passado por empresas como Comprafacil.com e Leader.com. Atuou no desenvolvimento de lojas como Globo, Olimpíadas do Rio, Ipiranga Shop, entre outras.

Publicado em 10 de fevereiro de 2026