ANALYTICS SUMMIT

Martech + IA: O Que Funciona (E o Que Não) no Mundo Real

Quem trabalha com dados vive um dilema conhecido: de um lado, times de tecnologia cheios de prioridades; do outro, times de marketing tentando fazer mágica sem conhecimento técnico. No meio disso, times de MarTech surgem como a ponte — ou o bombeiro — que reconcilia esses mundos.

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

10 de fevereiro de 2026

8 min
Martech + IA: O Que Funciona (E o Que Não) no Mundo Real

Quem trabalha com dados vive um dilema conhecido: de um lado, times de tecnologia cheios de prioridades; do outro, times de marketing tentando fazer mágica sem conhecimento técnico. No meio disso, times de MarTech surgem como a ponte — ou o bombeiro — que reconcilia esses mundos.

Durante o Analytics Summit 2025, o CTO da Métricas Boss, Lucian Fialho, mediou uma mesa redonda com quem vive essa realidade na prática:

  • Mariana Alves, Digital Analytics & DataOps Manager — Itaú Unibanco
  • Lilia Saiago, Director of Marketing Ops — Conta Azul
  • Lucas Yokota, COO & Co-founder — Purple Metrics

O tema? Como Martech e Inteligência Artificial estão sendo aplicados (de verdade) no dia a dia das empresas. Sem hype, sem teoria, só prática.

Aqui estão os principais aprendizados.


1. IA na Pré-Venda: Como a Conta Azul Escalou Atendimento Sem Aumentar Equipe

A Conta Azul enfrentava um problema comum: mais geração de demanda → mais MQL → necessidade crescente de SDRs → gargalo no atendimento.

E lead que espera… esfria.

Então veio o ponto de virada:

A Lilia trouxe a IA para dentro do fluxo de qualificação no WhatsApp: o canal onde o cliente realmente está.

Antes

  • SDRs com horário limitado.
  • SLA alto para contato.
  • Leads perdidos ou frios antes de qualquer conversa.

Depois

  • Atendimento 24/7 via IA.
  • Zero mudança de canal.
  • Velocidade de contato infinitamente maior.
  • Conversões preservadas ao longo do funil.

A IA não substituiu o comercial, ela retirou deles a parte repetitiva e deixou apenas o melhor: vender.

E o impacto? Aumento na taxa de contato, na passagem MQL → SAL → Oportunidade → Cliente.


2. IA Para Produtividade Interna: O “Assistente de Marketing” da Conta Azul

Além de acelerar vendas, a Conta Azul criou um AI Assistant interno que:

  • lê Notion, Slack e documentos internos;
  • abre tickets no Jira;
  • cria cards no Asana;
  • busca documentação;
  • acompanha incidentes;
  • conecta todos os times de marketing numa única fonte de verdade.

Resultado: Menos operação, mais estratégia.

E o ponto que mais chamava atenção na fala da Lilia: Até devs sêniores começaram a usar IA para tarefas repetitivas do dia a dia, liberando tempo para resolver problemas complexos e criar novos projetos de IA.


3. IA para Governança e Qualidade de Dados: O Case Gigante do Itaú

O Itaú lida com 70 milhões de usuários no app. Isso significa dezenas (às vezes centenas) de novas jornadas subindo por semana.

E um problema gigantesco:

####Jornadas chegando sem tagueamento.

Sem dado → sem análise → sem teste → sem insight → sem tomada de decisão. É trabalhar no escuro.

Para resolver isso, a Mariana implementou um agente de IA que valida repositórios de código:

  • verifica se existe tagueamento;
  • compara com a tech spec;
  • checa naming conventions;
  • gera alertas;
  • sugere como implementar corretamente.

Tudo isso antes do deploy.

Por que não bloquear direto?

Porque antes era preciso:

  • calibrar o modelo;
  • treinar desenvolvedores;
  • evitar fricção com tecnologia;
  • preparar base de governança (mapa de métricas, taxonomia, regras).

O time está em fase avançada de testes — com forte impacto em escala, governança e velocidade de análise.


4. O Que IA Deveria Fazer… e O Que Não Deveria Fazer

O exemplo do Yokota foi um dos mais simples e fortes: A Purple Metrics usa IA em toda a infraestrutura do produto (machine learning, modelos preditivos, enriquecimento de dados). Isso funciona perfeitamente.

Mas, quando falamos de conteúdo, o time descobriu que:

  • IA serve bem para referência, pesquisa, estrutura.
  • IA NÃO substitui a originalidade humana.

As maiores audiências da Purple vieram de:

  • reflexões pessoais do time;
  • casos reais;
  • conversas transformadas em conteúdo;
  • vídeos curtos, espontâneos, naturalmente humanos.

IA ajuda na edição. IA ajuda na curadoria. IA ajuda na organização.

Mas a ideia, o insight, ainda nasce melhor da cabeça humana.

Além disso, Yokota reforçou outro uso muito poderoso:

IA como “desafiadora de estratégia”.

Ele joga seus memorandos estratégicos na IA pedindo:

  • objeções;
  • contradições;
  • riscos;
  • pontos cegos.

A IA obriga você a pensar melhor.

E esse talvez seja o melhor uso possível.


5. IA no Produto: Onde a Purple Metrics Está Indo

Além da camada já existente de machine learning, a Purple está criando:

  • IA para CS aprender automaticamente com padrões históricos e sugerir otimizações;
  • IA para análise de criativos (qual copy, qual tema, qual mood gera resultado);
  • IA para melhorar onboarding e setup do cliente;
  • IA para mapear automaticamente padrões qualitativos de campanhas.

Enquanto o mercado foca só em geração de texto, a Purple usa IA para o ponto onde mais dói: Atribuir resultado real ao marketing.


6. Como Montar um Time de MarTech do Zero: As Dicas Dos Especialistas

Ao final, cada convidado respondeu à pergunta: Se você fosse montar um time de MarTech do zero hoje, por onde começaria?

Mariana (Itaú)

  • Comece pelo problema de negócio.
  • Tenha clareza do que a empresa realmente precisa resolver.
  • Não tente fazer tudo: escolha batalhas.
  • Busque entregas rápidas e escaláveis.

####Lilia (Conta Azul)

  • Comece pela fundação.
  • Sem dados, governança e stack bem montada, não há personalização, automação ou IA que funcione.
  • Avalie maturidade, gaps e infraestrutura.
  • Back-ends são as estrelas nesse momento.

Yokota (Purple Metrics)

O CMO moderno precisa ser:

  • CMO (entender de gente e marca),
  • CTO (compreender tecnologia),
  • CFO (fazer alocação de capital orientada a retorno).

E conclui: Todo CMO deveria começar a montar sua operação de MarTech o quanto antes.


Conclusão: IA Não é Sobre Repetir o Que Todo Mundo Faz: É Sobre Resolver Problemas Reais

A mesa redonda trouxe um ponto em comum entre as três empresas:

A só funciona quando tem problema claro, base sólida e pessoas preparadas.

  • IA na Conta Azul acelerou vendas e produtividade.
  • IA no Itaú resolveu governança em escala e reduziu desperdício de dados.
  • IA na Purple Metrics fortaleceu estratégia, produto e criatividade.

O futuro do MarTech não é substituir ninguém. É potencializar cada parte do processo: remoção de fricção, escala inteligente, decisões melhores e mais rápidas.

E, no final, IA não é o protagonista.

O protagonista continua sendo quem sabe fazer as perguntas certas.

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves

Gustavo Esteves é fundador e CEO da Métricas Boss, já trabalhou dentro de gigantes como B2W. Autoridade na área de Digital Analytics, com mais de 15 anos de experiência e 3 mil projetos atendidos, incluindo gigantes como PUC, Rede D'Or, Globo, Stanley, Médico Sem Fronteiras, Alura, entre outras.

Publicado em 10 de fevereiro de 2026