CAPI é a sigla de Conversions API, a interface que permite enviar conversões do servidor da empresa direto para a plataforma de anúncios, sem depender do navegador do cliente. Meta e Snapchat usam esse nome. O TikTok chama o recurso de Events API, e o Google Ads trabalha com dois mecanismos: Enhanced Conversions, que enriquecem as conversões do site com dados de cliente em hash, e Offline Conversions, que importam vendas fechadas fora do site.
Na essência, todas recebem a mesma coisa: um evento, como uma compra ou um lead, acompanhado de dados que ajudam a plataforma a reconhecer quem converteu. A diferença está nos detalhes, como quais campos precisam de hash e como evitar que a mesma venda seja contada duas vezes. São esses detalhes que definem a qualidade da correspondência e, no fim, quanto o algoritmo de mídia aprende com as suas vendas.
Abaixo, plataforma por plataforma, está o que vai em cada envio. Para ver como essas integrações se encaixam numa arquitetura server-side completa, baixe o Guia Definitivo de Server-Side Tracking para o E-commerce Brasileiro.
Meta: API de Conversões (CAPI)
A API de Conversões da Meta recebe eventos como Purchase e Lead. Quatro campos são obrigatórios em todo evento: o nome (event_name), o horário (event_time), a origem (action_source) e os dados do cliente (user_data). Em eventos de site, a URL da página (event_source_url) também é exigida. O horário não pode ter mais de 7 dias: se um único evento passar desse prazo, a Meta rejeita a requisição inteira. Quando há valor de conversão, ele também segue no evento.
O que define a qualidade da integração é o bloco de dados do cliente (user_data), dividido em dois grupos.
O primeiro grupo precisa de hash SHA-256 antes do envio. Inclui e-mail (em), telefone (ph), nome e sobrenome, data de nascimento, gênero, cidade, estado, CEP e país. O external_id, um identificador do cliente no seu sistema, também deve ir com hash, por recomendação da Meta.
O segundo grupo vai sem hash. Nele entram dados técnicos do acesso, como IP e user agent, e os dois identificadores da própria Meta: o fbc, que guarda o clique no anúncio, e o fbp, que identifica o navegador. Para eventos de site, o user agent é obrigatório, e a Meta exige pelo menos um parâmetro de cliente formatado corretamente.
Como a Meta recomenda manter o Pixel e a API ativos juntos, a deduplicação é parte da integração. O event_id e o event_name precisam ser idênticos nos dois canais, e a plataforma só deduplica eventos recebidos até 48 horas depois do primeiro.
Google Ads: Enhanced Conversions e Offline Conversions
O Google Ads não tem um produto chamado CAPI. O mesmo objetivo é atendido pelas Enhanced Conversions e pela importação de conversões offline. Além disso, o Google recomenda enviar ao Google Ads, junto com a tag, as conversões registradas no backend, como as de um CRM, por upload server-to-server. Nesse caso, o ID da transação precisa ser idêntico na tag e no envio pelo servidor, para que a mesma venda não seja contada duas vezes.
Enhanced Conversions
As Enhanced Conversions complementam conversões que já existem com dados first-party do cliente, como e-mail, nome, endereço e telefone. Esses dados passam por normalização antes do hash: espaços no início e no fim são removidos, o texto vai para minúsculas, o telefone segue o formato internacional E.164 (no Brasil, com +55) e, em endereços do Gmail, os pontos antes do @ são retirados. Depois, tudo é convertido em SHA-256. O Google usa esses dados para associar a conversão a contas Google que estavam conectadas quando a pessoa interagiu com o anúncio.
Existem duas versões. A de web cobre vendas e eventos que acontecem no site. A de leads cobre negócios fechados fora do site a partir de um lead captado online, usando os dados em hash coletados no formulário para ligar a venda ao clique.
Offline Conversions
A importação de conversões offline traz para o Google Ads vendas que não acontecem no site, como fechamentos por telefone ou pedidos confirmados dias depois, o que permite enviar só as vendas que de fato se concretizaram. O modelo clássico usa o GCLID, o identificador que o Google adiciona à URL quando a pessoa clica no anúncio, com a marcação automática ativada.
Para funcionar, o site precisa guardar o GCLID e enviá-lo ao sistema de leads junto com os dados do prospect. O valor diferencia maiúsculas de minúsculas e deve ser enviado exatamente como foi recebido. Nas importações programadas, o prazo entre clique e conversão vai até 90 dias quando os dados vêm de fontes como Cloud Storage, S3, SFTP ou Planilhas, e até 14 dias quando vêm de bancos como BigQuery ou Snowflake, e o Google recomenda esperar de 4 a 6 horas depois de criar a ação de conversão antes do primeiro envio. Nas compras, vale incluir o ID do pedido (Order ID), que o Google indica como boa prática para evitar duplicidade.
TikTok: Events API
A Events API do TikTok segue a mesma lógica da Meta. Pelas regras da plataforma, e-mail e telefone precisam ir com hash, assim como o External ID, que pode ser um código de programa de fidelidade ou um ID de cookie próprio. A correspondência também usa o identificador que o TikTok adiciona à URL quando alguém clica no anúncio (o parâmetro ttclid) e os identificadores guardados no cookie first-party ttp, para os quais a plataforma não pede hash. IP e user agent completam a lista: no Pixel eles vão por padrão, mas na Events API precisam ser configurados manualmente.
A deduplicação tem uma regra de tempo mais detalhada. Quando o mesmo evento vem duas vezes pelo mesmo canal (Pixel com Pixel, ou API com API), o TikTok deduplica dentro de 48 horas. Quando vem um pelo Pixel e outro pela Events API, a deduplicação vale para eventos que chegam depois de 5 minutos e dentro de 48 horas do primeiro. Nos dois casos, o event_id e o nome do evento precisam ser iguais, e o TikTok mantém o primeiro evento recebido.
Snapchat: Conversions API
A Conversions API do Snapchat recebe e-mail (em) e telefone (ph) normalizados e com hash. O telefone vai com código do país, sem zeros à frente e sem caracteres que não sejam números. Sem hash vão o sc_click_id, que é o valor do parâmetro ScCid na URL de chegada, e o sc_cookie1, que corresponde ao cookie _scid do seu domínio.
Há dois cuidados a observar no Snapchat. O IP enviado precisa ser o do dispositivo do usuário, e não o do servidor que faz a chamada. E, como na Meta, o horário do evento não pode ter mais de sete dias, o que limita o envio de conversões atrasadas.
Para deduplicar com o Snap Pixel, o event_id da API deve coincidir com o client_dedup_id do Pixel.
Comparativo: o que cada plataforma recebe
A tabela resume o que vai para cada plataforma quando a conversão é enviada pelo servidor.
| Plataforma | Nome do recurso | Identificador de clique | Dados enviados com hash | Dados enviados sem hash | Deduplicação com o pixel |
|---|---|---|---|---|---|
| Meta | API de Conversões (CAPI) | fbc | E-mail, telefone, nome, data de nascimento, endereço, external_id | IP, user agent, fbc, fbp | event_id + event_name, até 48 h |
| Google Ads | Enhanced Conversions e Offline Conversions | GCLID | E-mail, telefone, nome, endereço (SHA-256 após normalização) | GCLID | ID da transação igual na tag e no envio pelo servidor (Order ID nas importações) |
| TikTok | Events API | ttclid | E-mail, telefone, External ID | ttclid, cookie ttp, IP, user agent | event_id + evento; entre Pixel e API, de 5 min a 48 h |
| Snapchat | Conversions API | sc_click_id (parâmetro ScCid) | E-mail, telefone | IP do dispositivo, user agent, sc_click_id, sc_cookie1 | event_id igual ao client_dedup_id do Pixel |
Cuidados que valem para todas as plataformas
As regras mudam de uma plataforma para outra, mas alguns erros aparecem em quase toda implementação.
- •Normalizar antes do hash. O hash de “Maria@Email.com “ é diferente do hash de “maria@email.com”. Se o dado não for padronizado antes, a plataforma não encontra correspondência e o envio não serve para nada.
- •Não aplicar hash no que não deve. IP e user agent, assim como os identificadores de clique (
fbc,fbp,ttclid,sc_click_id, GCLID) vão em texto puro. Com hash, eles ficam inutilizáveis. - •Enviar o IP do visitante. Num servidor de tagging, a chamada para a plataforma sai do servidor. O IP que vai no evento precisa ser o do navegador do cliente, repassado pelo contêiner, e não o da infraestrutura.
- •Gerar o identificador de deduplicação uma vez só. O
event_iddeve nascer no site, de preferência a partir do ID do pedido, e seguir igual para o pixel e para o servidor. IDs gerados separadamente em cada lado nunca coincidem. - •Respeitar o consentimento. O envio pelo servidor precisa seguir a mesma escolha que o visitante fez no banner de cookies. O hash dificulta a leitura do dado, mas e-mail e telefone continuam sendo dados pessoais, e o envio depende de base legal adequada.
Baixe o guia completo de server-side tracking
O Guia Definitivo de Server-Side Tracking para o E-commerce Brasileiro, que a Métricas Boss produziu com a Wascer, empresa de hospedagem de GTM server-side, tem um capítulo sobre as APIs de conversão por plataforma e mostra como elas se encaixam numa arquitetura server-side, do diagnóstico ao corte.
Baixar o Guia Definitivo de Server-Side Tracking gratuitamente
Perguntas frequentes
O que é CAPI?
CAPI é a sigla de Conversions API, a API de conversões que permite enviar eventos do servidor da empresa direto para a plataforma de anúncios. O termo é mais associado à Meta, mas o Snapchat usa o mesmo nome, e o TikTok tem um recurso equivalente chamado Events API.
Qual a diferença entre a CAPI e o Pixel da Meta?
O Pixel roda no navegador do visitante e depende de cookies e de a requisição não ser bloqueada. A CAPI envia os eventos a partir do servidor, o que reduz perdas por bloqueadores e restrições de cookies. A Meta recomenda usar os dois juntos, com deduplicação por event_id.
Preciso enviar o mesmo evento pelo Pixel e pela CAPI?
É o que a Meta recomenda, num modelo que ela chama de configuração redundante. Se você enviar o mesmo evento pelos dois canais, o event_id e o event_name precisam ser iguais para que a plataforma descarte a cópia. Quem envia eventos diferentes por cada canal não precisa deduplicar.
O que são Offline Conversions no Google Ads?
São conversões que acontecem fora do site e são importadas depois para o Google Ads, como uma venda fechada por telefone a partir de um lead. A ligação com o anúncio é feita pelo GCLID capturado no clique ou, nas Enhanced Conversions for leads, por dados do cliente em hash.
Enhanced Conversions é a CAPI do Google?
O objetivo é parecido, porque as duas melhoram a correspondência entre conversões e anúncios usando dados first-party em hash. O funcionamento é diferente: as Enhanced Conversions complementam conversões já registradas pela tag do Google. O equivalente mais próximo da CAPI no Google é o upload server-to-server de conversões, que o Google recomenda usar junto com a tag, com deduplicação pelo ID da transação.
Enviar dados com hash resolve a LGPD?
Não sozinho. O hash dificulta a identificação direta, mas e-mail e telefone continuam sendo dados pessoais. O envio precisa respeitar o consentimento do visitante e ter base legal definida. Vale validar o fluxo com o jurídico da empresa.
Fontes
- •Guia Definitivo de Server-Side Tracking para o E-commerce Brasileiro (Métricas Boss e Wascer)
- •Meta: Customer Information Parameters
- •Meta: Handling Duplicate Pixel and Conversions API Events
- •Google Ads: About enhanced conversions
- •Google Ads: Set up offline conversions using GCLID
- •TikTok: About event deduplication
- •TikTok: How to set up matching events with Events API
- •Snapchat: Conversions API Parameters

Gustavo Esteves
Gustavo Esteves é fundador e CEO da Métricas Boss, já trabalhou dentro de gigantes como B2W. Autoridade na área de Digital Analytics, com mais de 15 anos de experiência e 3 mil projetos atendidos, incluindo gigantes como PUC, Rede D'Or, Globo, Stanley, Médico Sem Fronteiras, Alura, entre outras.
Publicado em 28 de outubro de 2026